domingo, 28 de novembro de 2010

A viagem continua

    Bom, conforme prometido na postagem anterior, continuo uma breve narrativa da minha viagem a Ilha Grande, porem agora estou sozinho no paraíso, ou melhor dizendo, já que estou no paraíso ninguém melhor pra me fazer companhia do que ele, O Todo Poderoso pai de J. Cristo. Porque sinceramente muito do que eu vi e vivi lá esses dias são coisas que só posso delegar a responsabilidade a Ele. cachoeiras lindas, praias magnificas, vistas de se tirar o fôlego e perder as ações, um céu tão estrelado quanto a nossa razão nos deixar imaginar. Sem medo de parecer mais um desses anúncios de férias o que se segue é o relato de 4 dias que passei sozinho no Éden.

    1ª noite sozinho

    Após a partida dos meus companheiros de viagem, fiquei meio sem ação por um período de tempo, sem saber muito bem o que fazer, na volta ao acampamento vi o bonde SJB( referência ao post passado) arrumarem suas coisas para também retornarem cada qual a sua vida, era curioso ver aquela cidade em miniatura na qual passei meus últimos dias se tornar o meu próprio latifúndio em questão de minutos. Barracas desmontadas malas feitas e o bonde partiu, restara em mim uma sensação de vazio, parecia que todos os habitantes da terra sumirão e me deixaram a terra como lembrança. Deixei os pensamentos de lado e fui fazer meu jantar afim de ocupar a minha mente e encher minha barriga.

    Entre picar uma cebola e ferver a água reparei que era reparado. olhos verdes me fitavam a todo o momento, me fiz de bobo e continuei o preparo da janta. Ouvi meio de longe alguns comentários provocantes  que por mais que não fossem feitos em minha direção sabia que era o alvo dos mesmos, continuei me fazendo de bobo, me permitindo apenas rápidos olhares desafiadores. janta pronta, parte do que pretendia comer naquela noite estava em minha frente, deliciei-me (nem tanto) com minha janta na bela companhia de uma Coca-cola gelada(sim, até no paraíso tem Coca gelada).

Janta feita.
Zona arrumada.
Barriga cheia.
Vamos a caçada
ou seria virar caça?

    Na parte de fora do camping havia um pequeno bar que servia em dia de metrópole para a confraternização geral, tal qual a lapa pro rio. La também se via de tudo e todos. quando cheguei a minha Lapa me deparei com um animado papiar dos funcionários do camping, que hora reverenciavam seus empregos em uma ilha paradisíaca, hora queixavam-se de seus patrões. Aos poucos me entrosei na conversa, dando eventuais palpites, e em pouco tempo me senti em uma roda de amigos. Continuei sendo observado agora de muito perto, com olhares marcantes e movimentos provocantes. logo a lua apareceu e como em noites passadas jogo todo seu poder afrodisíaco sobre a praia, passado algum tempo com a maioria se recolhendo aos seus aposentos(barracas na verdade onde moram os funcionários do camping), podemos finalmente atender o chamado de Afrodite. O que começou moderadamente na praia rapidamente se estendeu a minha barraca (que a propósito estava armada). Em um ritmo frenético e desenfreado, em meio aquela bagunça de corpos fui surpreendido com uma pergunta "quantos anos você tem?" respondi que tenho 23, então uma risadinha malandra tomou o ambiente, logo depois se ouviu " haha tenho 39" aquilo me soou como um desafio, um embate entre experiência e vontade, entre o conhecimento e a disposição. o que havia começado na praia, se estendido a barraca, agora ganhava a direção do banheiro, e então realizando o que mais havia se falado no camping, desfilei nu pelo camping. terminado o começado voltamos as nossas barracas, satisfeitos com o resultado da batalha, ambos foram vencedores!!!

1º dia sozinho

    Um saco!!! só choveu, eu só dormir, e fui alvejado por uma dúvida que desde a partida tentava evitar, será que eu deveria ter ido embora com eles? Botei Janis Joplin pra tocar e voltei pra cama.
Tornei a despertar e sai do casulo, me informaram que já eram 6 da tarde, ótimo, esse dia terrível e chuvoso passou rápido. Comi alguma coisa, não pude comer outra, dei uma volta rápida na praia afim de deixar a cabeça ativa. mas acabei voltando de pressa a barraca e pegando no sono novamente.

2º dia sozinho

    Acordo com a esperança de um dia melhor, logo sou surpreendido com um mosaico de sombras na parede da minha barraca, um seleto grupo de raios de sol chegavam a minha barraca depois de passarem pela peneira que uma amendoeira fazia com suas folhas, o vento dava ao desenho vida e movimento, alterando a cada sopro a forma das imagens em minha barraca. dei um pulo da cama, me vesti e botei a cara pra fora da barraca afim de ter certeza sobre o que me esperava, um belo sol ardia no céu, deixando as águas mais claras ainda. após uma trilha de uns 50 minutos me encontravam em um túnel verde, a restinga da praia que eu me aproximava se fechava por cima da minha cabeça, e logo após uma curva me deparo Agora sim com o hipnótico mar de Lopes Mendes


Chegada em Lopes.

    A praiana foi ótima, na trilha treinei um pouco do meu inglês e na praia um pouco do espanhol. Me senti em qualquer lugar do mundo menos no Brasil, pois na praia não se falava português bom, uns até tentavam achava graça de ver espanhóis, franceses argentinos e ingleses tentado se virar no nosso complicado modo de se comunicar. deixando a globalização da praias pra trás pego carona em um pequeno barco pra 9 pessoas em direção

3º dia sozinho

Cachoeira da feiticeira
    A nescesidade de comunicação, a vontade de saber o que Mah havia me escrito e a curiosidade de conhecer outras partes da ilha me fazem atravessar a ilha em uma jornada quase épica pelo meio da mata, passando por subidas intermináveis descidas escorregadias e traiçoeiras, chego a Vila de Abraão, um simpático lugar que parece não se incomodar com o passar do tempo, depois de conferir, me alegrar e me preocupar com o que Mah me escreveu, dou sinal de vida aos parentes, fecho o e-mail e redes sociais e agradeço por deixar aquela parafernalha eletrônica pra trás. Meu destino era bem mais interessante, a cachoeira da feiticeira me aguardava, colhi algumas informações me muni de uma garrafa d'agua e um pacote de biscoito(trouxe tudo de volta e joguei no lixo) e ganhei a trilha pra cachú da feiticeira, logo aos 10 minutos de trilha sou presenteado com um poção natural de águas vindas da cachoeira, em um ambiente onde me sentia o único humano, senti o forte impulso de tomar um banho nu porem, afim de evitar futuros embaraços permaneço com a sunga e pulo na água. Me entorpeço com a beleza do local por um tempo, saio da água e me visto, recarrego a garrafa com água e continuo a subida. faço um contato rápido com duas inglesas que mais tarde vim descobrir serem irmãs, depois de lhes pedir uma gentileza e as orientar quanto ao caminho correto, ultrapasso-as e tomo a dianteira pela trilha a fora pouco metros depois de uma árdua subida me deparo com uma imagem impactante de uma lagoa de um verde debochado, que dava a tal lagoa um ar de superioridade mediante a mediocridade da raça humana. Me restou exclamar HOoooooo, segundos depois em quanto eu ainda admirava a paisagem as duas inglesas apareceram e se pode ouvir " HOoooooo  it's wonderful", daí pra frente ganhei a companhias das simpáticas inglesas. Ao chegar na cachoeira houve algum tempo de silêncio, todos observavam o lugar, como se tentando guardar na memória cada detalhe daquele lugar, rompi o silencio dizendo" é lindo né?!" e por mais que Laura(uma das inglesas) não falasse nada de português neste momento ela pareceu me entender e concordou com um movimento simples e charmoso com a cabeça. tomamos um gelado banho de cachu e logo ela seguiu seu rumo junto com sua irmão e eu segui pra praia da feiticeira. Não menos bonita que a sua cachoeira, a praia apresentava um grupo de uns quinze personagens que em pouco tempo subiram em uma lancha e se foram, deixando a praia vazia e calma. Na volta pra casa com a trilha ainda húmida devido as chuvas de dias anteriores fui mais uma vítima do descuido, não testei o piso onde botei o pé, logo a intolerante gravidade ignorando todo meu esforço pra me manter em pé, me jogou de bunda no chão. logo o dia terminava sem nada mais a ser descrito.


4º e último dia sozinho

    Acordo já com as malas previamente arrumadas na noite anterior depois de um rápido café da manha, subo novamente no barquinho que tinha me trago de Lopes Mendes, a partimos a toda de para Lopes(este barco leva um rapaz que mora no camping e vende bebidas na praia). Na chegada um nativo chamou mina atenção a um fungo rosa que nasce nas árvores, estes fundo só crescem onde se tem um oxigénio 100%  limpo, daí me questionei porque não via esse fungo aqui no rio...
Mais uma vez a praiana foi excelente, com um intercâmbio cultural que envolveu um casal de franceses que a mulher se insinuava pra mim, e uma argentina simpática que mora atualmente na ilha meu tempo na praia se esgotou, peguei a trilha de volta ao camping, desmontei minha barraca, terminei de montar o quebra cabeça da minha mochila joguei tudo nas costas e depois de me despedir dos nativos, fui aguardar meu barco, era a minha vez de deixar a Diney pra trás, este barco me levou a Abraão, onde lanchei e peguei a barca para Mangaratiba, lá um ónibus me esperava. a volta foi rápida e sem imprevistos. cheguei na novo rio com a cabeça ainda na ilha, então me concentrei e fiquei atento, afinal estava de volta ao Rio. depois de um irritante engarrafamento as 11 Hs. da noite, uma troca muito demorada de ónibus e um calor infernal, chego em casa.

Cansado, feliz, leve e com a cabeça calma, pronto pra encarar por mais algum tempo nossa selva de pedras.

Ficam as saudades, as lembranças e a certeza de um reencontro em breve.












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